quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quieta manhã

Tão quieta manhã,
manhã de quase primavera
ensolarada
e silenciosa

vassouras passeiam pelos chãos,
um pássaro pousa na janela
não me entrega nenhuma canção
e voa

algumas chaves balançam
nas portas que abrem
em cada destrancar de fechadura
tão nítidos
aos meus ouvidos

tão quieta manhã,
como deveriam ser
todas as manhãs.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Deveria estar dormindo,
mas o sono não me vem.
Moribundo sobre a cama
aproveito o quente que ela tem
a me oferecer,
nessa noite de frio
num inverno que chega tardio.

domingo, 18 de setembro de 2011

Esmero concreto

com
certo
esmero
vou
montando as partes
de um
poema 
concreto

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Escravo do cotidiano

Escravo do cotidiano
pobre coitado.

Todo dia
e ano

espera sentado

a volta de Cristo,
a paz no mundo,
o juízo final.

(Mas como o fim
é tradução de paz?)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Neste minuto queria poder te abraçar
e deixar o tempo ir embora
sem nem me preocupar
se chove
ou se faz sol.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Poema

quebro a ordem sintática
dos versos
de um conjunto
de palavras
que chamo
poema

não tenho o mínimo respeito pelas normas gramaticais nem pela estética ou pela métrica

não sei rimar
nem fazer sonetos ou odes triunfantes

fujo completamente das características
que me juntem a um grupo

sou o que mais único há,
junto ao que de mais único existe já,
pois tudo é único na poesia,
pois tudo é reflexo de um eu
sobre um todo

me inspiro na paixão,
que me nutre
e me fortelece
na imagem de uma menina
(uma dita Michele),
cheio dos clichês mais baratos
comprados nas linhas
dos românticos inveterados
com versos
de simples palavras
soltas
e desgarradas

mil poemas me vêm e vão
numa pluralização
de emoções
e sensações
que me invadem em apenas um segundo
(em um olhar
nos olhos seus)

e com o tempo
como meu aliado,
pois já tanto vivi
e muito senti
nos meus poucos vinte e dois anos completos,
caso o acaso com o destino
e espero,
angustiado,
o momento sagrado
em que finalizo o poema.

Um sonho

um sonho me espera
                                por isso eu vou
                                                        com toda essa pressa.

Há noites

Há noites
em que meus braços
se esticam
e não te encontram

há noites
em que minhas mãos
percorrem o vazio
e não te encontram

há noites
em que meus olhos
abrem despercebidos
e não te encontram

há noites
em que sozinho
tremo de frio
e não te encontro

há noites
em que meu corpo
adormecido
reage à espasmos
de sonhos
em que finalmente
te encontro.

domingo, 28 de agosto de 2011

poema-pouco

por mais simples que sejam
e singelos,
apenas aceite-os,
pois são verdadeiros.

são meus versos
(são você),
é o mínimo que eu,
pobre alma vagabunda,
posso oferecer.

mesmo solitários,
escanteados, meus poemas
continuam a te seguir
noite adentro,
sedentos

por uma rima que te complete,
por um ritmo que te apeteça,
por toda uma eternidade
em que o poema não desapareça.

sábado, 27 de agosto de 2011

Labirinto

Labirinto de palavras
e nós atados,
amarrando os versos
desencontrados
de um poema solto no ar.