sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noite de natal

Esta noite não esperarei Papai Noel,
Nem presentes.

Terei comigo uma folha de papel,
E queijos quentes.

amo você

se ao te ver
eu não conseguir falar
pode acreditar
que o que eu quero dizer
é que amo tanto você.

pra quê?

Sopra
Dendê

Só pra
Vender

Cobra
Pra você

Cobra
Pra enriquecer

Obra,
Vê?

Prédios de obra,
Vê?

Só não ver quem não quer
Quem não quer e não sente
O estrago constante
Do salve-se quem puder.

Rimo
Pra quê?

Sinto
O quê?

Amo
Quem tem

Amor pra
Me dar

Amo
Quem tem

Olhos
A me admirar

Amo
Quem tem

Suor
E deleite.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Receita

1 pitada de sal

normal

1/2 colher de bicabornato de sódio

ódio

quase nada dessas receitas eu tenho em casa.

untar uma assadeira de vidro

polvilhar pimenta do reino

desfiar 200g de carne

...


nem sei porque perco meu tempo anotando

se nem carne eu como

e o forno não funciona.

O que há do lado de fora da janela

Da janela de minha casa não há vista valorizada,
Não há mar
Nem montanha,
Não há vale
Ou avenida.

Há apenas silêncio
E pouca vida.
As janelas que vejo
Estão em sua maioria fechadas.
Algumas espremem cabeças,
Umas que fumas
E outras que só olham o nada.
Se erro
Espero
E é certo
Que o pecado primeiro
De Adão e Eva
De nada influenciou
Meu contato primeiro
De cheiro de verde
De farsa
De erva.

Se meus olhos cansados
Pendem sobre a face
Rezo aos Deuses
Que me mantenham acordado
O máximo possível
Enquanto a olho dormir.

E o sono de algodão doce
Vem doce,
Doce vem seu beijo
Em meio a um boa noite

E no beijo os olhos se fecham
E finalmente dormem
Sonhando meio sem dormir
Num beijo de noite toda
Com os corpos inativos de existir.

Esta, e mais qualquer uma, noite

Um avião passa tão perto
Que a televisão perde o foco
E o que vejo é interferência

É uma noite calma,
Já passa da 1 da manhã
E não vejo o sono vir

A luz da sala acesa
Iluminando meu poema
E a motocicleta que viajo junto ao filme que não vejo

Esquenta meu corpo
Recém saído do banho
Às pressas para não perder uns versos soltos sobre um possível sonho.

Eu-poesia

Dos estilos literários
O romance é o que menos me convém.
Mas não generalizo,
Existem alguns que me enchem os olhos
E me prendem as mãos
Me envolvendo em suas páginas.

O que realmente me atrai é a poesia,
Os versos soltos,
As rimas prontas,
O ofício dos grandes
Ao qual me meto fracamente
Como mero aprendiz
E admirador.

Na poesia me vejo nu,
Criança solta num campo verde
A correr por entre o vento
Com o prazer desse momento
Sendo transformado pelo processo lento
De poetizar através do tempo.

Por mim, por Gullar

Não sei se alguma estrela morre,
Não sei que horas são,
Nem sei o que faço agora
Ou se me bate um coração.
O domingo está frio,
O sofá vazio,
O copo, porém, está cheio
E quente,
Com a bebida que corre por minhas veias
Turvando minhas vistas
Me deixando promiscuamente libidinoso
Desmaiado sobre a cama

Queria ter, como o mestre, todos os sentimentos do mundo,
Desesperadamente fugitivo do dia-a-dia,
E sonhar com um futuro
O qual destino já havia decidido
Que não viria

Pretenciosamente queria poder ter em mim todas as sensações possíveis.
Meu coração estava cheio de amor,
Mas não era suficiente,
Queria mais,
Queria ser capaz de sofrer,
E sofri.

Com as janelas fechadas
E o suor escorrendo
Eu fujo.
Enfim liberto
Os olhos se fecham
Os lábios secam
E eu durmo.

Lábios metálicos

Meus rosto furado
Em pontadas
De agulhas
Imaginárias

que incomodam meu sono
Entrecortados
Nos versos perdidos
Dessa noite, que me propicia,
Os mais íntimos desejos
Que te escondo,

De querer te beijar
Uma noite inteira
Até o sol raiar,
Até nascer em você
Um nascer que me despertará
Um desejo de querer
Os seus lábios metálicos
Metódicos em te amar.

A capa da revista

Absolutamente
Com a certeza
Que inexoravelmente
A beleza
Da capa da revista que nos mente
É processo de um complexo de avareza
De corpos eternamente adolescentes.
Não há nada que não
Entregue o
Meu carinho

Entendo, pelo menos, que
Por quem passa
Minhas mãos,

Se entrega à carícias
Podendo vir a trazer
Prazer e suspiro baixinho.

Não

Não me olhe assim
Pois posso não resistir aos impulsos
E agarrar-te rapidamente
Sem ao menos pensar
Nas consequências de meus atos.

Não me toque desse jeito
Pois me ferve o sangue
E borbulam meus olhos
Me desfazendo da sintaxe
Que se esvai em fumaça.

Não me dirija a palavra
Pois sua voz
Em minha mente ecoa
Em ruídos que despertam
Uma sensação tão boa
Me apertando o peito
E me secando a boca.

Visão de um homem ao pé de um viaduto

Estava cansado
A cabeça pendia na janela do ônibus
Não sei se o que eu via
Era real ou era sonho,
Mas qualquer que o fosse
Era triste
E medonho.

Do meu lado

Procuro você do meu lado,
Seu corpo largado
Deitado adormecido,
No pouco espaço
Apertado, de uma cama de solteiro.

Centro

Em passos largos
E demorados,
Ele caminha calmo
Pelo centro da cidade.

É um homem branco,
Pés descalços
Já calejados da caminhada diária atrás da vida,
Tentando agarrá-la com as maõs duras
E frias,
De quem todas as noites soca o mundo
Fazendo-o sangrar!

Sorri à toa,
Como se estivesse em outro lugar,
E realmente está.

Sua mente ficou ruas atrás
Em uma lata de refrigerante.

Musa

Musa das mais belas trovas,
Romanescas.
Donzela das mil e uma noites,
Vampiresca
Sugando todo o sangue
Que me ferve a veia
No calor de uns batuqes de carnaval.

Descompassado o meu coração
Apressado, já normal,
Sempre que a tenho em pensamento,
Se entrega
E sangra,
Atacado por suas unhas
Cravadas em meu corpo
Em delírios loucos,
No mesmo instante que seus lábios
Tocam os meus.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Populi

Pedra dura
Que fura
O ferro
Que fere
O rato
Do rei.

domingo, 28 de novembro de 2010

Astros

As estrelas voam sobre minha cabeça,
E brilham como olhos,
Me encarando
E desvendando tudo em meu interior.

A lua é minha bola de cristal,
Revelando o futuro que virá
E será trazido nas mãos dela.

Deixe-me morrer em seus lábios

Afogo-me no negro mar de seus olhos,
Onde salvação alguma me convém.
Me deixe morrer em seus lábios
Suplícando amém,
Implorando aos Deuses
Só mais um beijo,
Antes do vento
Levar as ondas
No suor que corre do seu rosto
E, salgado, atinge um olho
Mar.

Como um marinheiro encantado pelo canto de uma sereia,
Entrego-me de corpo inteiro
À sua imensidão,
Que me puxa até as profundezas,
Lavando meu medo
De me entregar à solidão.

Minha sepultura deve ser feita sob seus braços,
Agarrados à mim,
Entrelaçados como raízes.

Às noites

Às noites vou para cama cedo,
Pois só lá encontro sossego
Para poder te ter em meus sonhos.

Caminhos do sono

Já entrava a dentro a madrugada,
O mundo, apagado, dormia
E os corpos pesados, desabados sobre as camas.

A interferência na tv,
A luz ainda acesa
E o mal jeito das costas,
Deportas
No sofá.

Cambaleando no escuro
Caminho pelos cantos
Tateando o corredor,
Até achar a porta,
Desviando de qualquer
Possível causa de dor.

Tropeço em fotos antigas,
Nem sei o que elas fazem fora da gaveta.

Está fria essa noite,
Há tempos não sentia frio.
É agradável.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Presente

Sem mais por vir
Em um futuro onde nada me espera,
Vivo meu presente,
Presente que ganhei
Sem ao menos pedir.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Soldados vindo do norte com a missão de destruir uma vila de camponeses

Os soldados vêm marchando lá do norte,
Onde os dias duram meses
E as casas são de algodão.

De longe se sente o cheiro da morte,
E aqui faz um frio que às vezes
Nos congela o coração.

E quem sabe com um pouco de sorte,
Os sonhos dos camponeses
Se realizarão.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O exército americano invadiu o Brasil!

O exército americano invadiu o Brasil!
É um tal de hot dog, fast food, play, start...
Coisa que antes nunca se viu!

O exército americano invadiu o Brasil!
Trouxe com ele o Rambo, o G.I Joe e o Playmobil.

O exército americano invadiu o Brasil!
Oh My God, Let's go! Grita a menina
Ao som de fuzil.

O exército americano invadiu o Brasil!
Trouxe seu lixo eletrônico,
De fornecedor feroz,
Escondidos em máquinas de xerox.

O exército americano invadiu o Brasil!
Exército de língua armada até os dentes,
De dólar barril,
Petróleo presidente.

Good morning, criatura!
Ninguém mais corre atrás do balão que caiu,
Estão cegos e sem a cura
Pro exército americano que invadiu o Brasil.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Momentos de depressão

E esse buraco que aparece a tal hora dentro de meu peito?
Logo quando mais preciso, não te tenho!
O que eu faço agora?
Preciso saber!

Sei que não é necessária muita preocupação,
Essas depressões momentâneas temem em aparecer de tempo em tempo,
Já devia estar acostumado...
Mas não, não me acostumo, porque não gosto de senti-las.

Vulgarmente espero ela ir embora,
Deixo o tempo ir passando,
Lavando meu interior.

Confesso minha dependência,
Mas longe de mim ser importuno,
Só queria um segundo,
Um olhar...

Meu caro Romeu

Queria entender Kant, Mallarmé e Alfredo Bosi
E ter em minha posse
O saber filosofal.

Seria bom ser como as múmias,
Ter mil anos e estar intacto.
Andar sobre as nuvens,
Ia ao diabo e fazer um pacto
De dar minha alma em troca
de um coração judeu.
Coração que pode amar
Como um dia amou Romeu.
Pobre Romeu, amou tanto a Julieta,
Até fingiu que morreu,
Mas seu plano não deu certo.
É... o amor é um caso sério.

Digo isso porque amo,
Amo tanto e é tão díficil
Suportar todo esse peso.
O amor é um sacríficio!

É meu caro Romeu,
Encontrei um amor
Que posso chamar de meu.

Tempos da aurora

Dai-me um tempo criatura,
Esqueça dessa vida dura.
Tudo o que deseja
Que se cumpra.

Impossibilidades e desventuras
De uma vida de marasmo
Banhada à leituras
De um mundo que nos cerca
E nos cerra a cabeça.

Sou lâmina cega nesse jogo,
Corto você em partes de um todo
Para guardar só de lembrança,
E quem sabe quando voltar a ser criança,
Em alguma regressão eu me lembre de você
E encha o coração de desconhecido prazer.

Mais um pouco é o que eu peço
Só uns segundos para terminar esses versos.
Apesar de não precisar pensar muito,
Eles vêm soltos e os colo sem ordem
Como um dadaísta em um delírio criativo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Invisibilidade

o poder da invisibilidade
é o que me falta,

uma fuga da realidade
que me mata

com a pouca verdade
de sua pureza casta

sobre minha felicidade
hoje já gasta.

Essa menina é um caso sério

Com o tempo contra nós
Não há muito o que fazer.
Nunca tive fé em muita coisa,
Mas hoje peço para que os céus me deem trégua,
Estou cansado dos corações partidos pelo caminho
Estou cansado de meu coração explodir a cada nova paixão.

Há uns olhos negros
Que me olham destemidos
Quase desafiadores,
Reprimidos por um gesto de qualquer atenção.

Livro-me dos pensamentos!
Não há nada além do que eu vejo
E se eu não te vejo
É como se você não existisse.

Será tudo mesmo real?
Me imagino em sonhos
Que poderiam substituir toda minha vida.
E se eu simplesmente desaparecesse
Que mal faria?

Acho tudo engraçado.
É impossível não achar!
Ó Deus!
Suas brincadeiras são as melhores!

Quando minhas mãos se estendem
Não buscam muita coisa,
Quero apenas as suas
Como em uma conectividade,
Uma troca de sensações,
Quero que sinta o meu coração bater
Por meus dedos
Por meu corpo todo...

Essa sua complexidade é o que mais me fascina.
Acaba com o marasmo do mundo,
Me arranca do ponto comum,
Faz com que eu perca horas
Imaginando qualquer besteira.
Essa sua complexidade de menina
Não-normal,
Corta com faca cega todo meu mal.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tarde cinza

Como é bela a tarde cinza,
Chuvosa,
Um tanto fria
E silenciosa.

Na rede o sono vem
Entre as linhas do primeiro capítulo de um livro.
E Gabriel García Márquez que me perdoe,
Pois dormi com Cem anos de solidão sobre meu peito.

Nessa tarde nebulosa
Nem os cachorros latem,
Alguns se escondem em vãos de escadas,
Daqui vejo uns outros que dormem.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Futuro numa caixinha

Guardo o futuro
Em uma caixinha,
Local que não há mais seguro
Escondida pequenininha
Sob o travesseiro amassado
Onde repouso descansado
Em uma tardinha,
A tendo em pensamento,
Pois com nada mais me contento
E nada mais me inebria
Do que passar todo um dia
Tentando te arrancar do vento
Que me traz seu perfume.

Escadas

por cada esquina
de beco em beco
em toda rua
há uma escada


umas que sobem
umas que descem
sempre há gente
em qualquer escada


vão por vários caminhos
dando rumo a vida
trajetória de volta
rumo só de ida

Escute-me poeta

Muito fácil me auto-intitular poeta,
Muito fácil fazer versos.
O díficil desse ofício
É fazer alguém mostrar agrado.

Engraçado é ver uns e outros se gabarem de poucos versos
Tão fracos, meus deuses.
Admito minha falta de talento,
Em nenhum momento disse de mim tal grandioso,
Obstinado poeta...
E nem mais um tanto do que isso.

Rio escandalosamente ao saber que agora tem uma fonte,
Uma inspiração vinda sabe lá de onde
Uma musa, pra ser mais exato!
Ah! Criança!
Não se iluda,
Essa que pensas ser sua musa
De muitos já foi.
Isso com que a quer presentear
Já há tantos por aí,
Que não há como contar!

Escute-me poeta,
Desista enquanto é cedo,
Toque sua boiada a frente
Como eu já tenho feito.

Peça rara

Veio assim de mansinho
Como quem não queria nada,
Com um sorriso bonitinho
E a face envergonhada,
Livre dos cachos curtos
De madeixas cortadas,
Que aos poucos levo em furto
Como pequenas peças raras
Escondidas em meu olhar,
Livres que qualquer um
Que tente as roubar.

sábado, 25 de setembro de 2010

À base de pílulas

Quando durmo,
Quando acordo,
Em horários certos,
De seis em seis,
de oito em oito horas,
Só hoje já foram três;
Um anti-alérgico
Um anti-térmico
E um anti-viral.

Estou doente,
Preciso delas.
Não que seja um vício
Algo constante,
Apesar de ter um certo apreço por elas...
Mas é necessário.
São elas que me mantém em pé no momento em que escrevo isto,
São elas que não me deixam derrubar
Por uma gripe qualquer
Que veio de longe só pra me pegar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Giramundo

Um passo pro lado
Esquecendo o passado.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Menina do samba

Das raízes do samba
Menina que roda
Na roda do tempo
Sua saia rendada.
Os pés já descalços,
Cansados, mas ainda intactos
Pela leveza com que dança
Quase flutuando.

Seus pés deixam o chão,
Seus braços envolvem um outro corpo
Que a levanta em movimentos sincronizados.

O chão molhado
Das bebidas ao redor,
Dos que aplaudem no ritmo da música
E se deixam levar pelo ré menor da canção
Dedilhado brilhantemente em um violão
Que emudece todo sinal de vida
E cala toda percussão
E paralisa todos os presentes
Que a veem sair delicadamente
Nos últimos passos de pernas trançadas
Abaixando procurando as sandálias
E sorrindo dentro do copo que a entregam
A chamando de menina do samba.

Sonhos cortados em janela de ônibus

Deixo os olhos fechados,
Atacados pela luz
Do sol da primavera.

O céu sem nuvens
E a pressa da vida
Correndo adoidada
Pelas veias dos corpos do homem.

O pouco tempo,
A falta de amor,
O beijo perdido,
Os olhos da menina que não posso ver,
O medo da perda,
A dor da saudade,
Os clichês poéticos,
A minha paixão.

De setembro, metade já foi.
Desse dia, ainda é manhã
E já volto pra casa
Com o vento na cara,
Rachando os lábios,
Secos e sem vida,
Sedentos por seu beijo
Que me despertariam desse sono de sonhos cortados
Na janela do ônibus.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sono cortado por um cigarro

Uma fumaça de cigarro não me deixa dormir.
Não, não é meu cigarro.
A fumaça dos meus cigarros não me incomodam
E isso tem certa graça.

A fumaça dos meus cigarros são como nuvens de algodão,
São doces
Com efeitos de oculares maçãs.

Amanhã deveria acordar cedo,
Mas não durmo.
Parte pela fumaça
Parte por medo de fechar os olhos
E não a encontrar em meus sonhos.

Me odeie, my love!

Seria bom sentir seu ódio sobre mim,
Saber que nutre uma raiva interior
Desejando-me a morte!

Que recaia sobre mim todo o mal que causei.
Me odeie, my love!
Hate me with all your guts
Scream at me with pain
E me diga "vem, que te quero bem"
Com os olhos vermelhos de lágrimas
Choradas a noite toda
E agora escassas.

Esse meu fim,
Foi eu quem quis,
Now, let me just dry your tears
Before I say goodbye.

Paráfrase

Esse poema me veio após a leitura do texto "Silêncio da madrugada", de Icaro Simões.
Sem a devida permissão me veio a inspiração.

No silêncio da madrugada
Escondo-me sob o escuro do mundo.
Não há palmeiras cortadas ao vento,
Mas há cachorros que latem com medo
De uns passos mais apressados
De quem vem chegando atrasado.

Há quem grite com o filme da TV,
Mas não há desespero,
Apenas umas risadas do vizinho gordo
Que se faz ouvir até o final da rua.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sendo criança

Papel, linha,
Vidro, cola,
Pedra, bola,
Volta da escola,
Tênis, mochila,
Corações, meninas,
Segredos, desejos,
Borboletas tão lindas,
Cores, odores,
Amores, Dolores
A moça da cantina,
Tão gorda e tão boa.

Vou sendo criança
Sem medo e sem dor.
Você é lembrança
Do mais puro amor
E de pobres rimas
Como essa acima
Que tanto ilumina
Minha inspiração.

A flor

Ela está ali,
Única,
Em um patamar a cima de qualquer coisa.
Ela é uma flor!
Sim, meus caros, uma flor!
Mas, mais que uma flor
Ela é uma amiga,
Uma confidente,
Quase um santuário
Onde deposito meus segredos
Com a certeza de que estarão guardados,
Sob suas pétalas
Que mudam de cor a qualquer nova mudança
A metamoformoseando nas mais variadas formas de ser.

"Michelle ma belle"

Carros passam,
A noite cai,
Os corpos correm
Apressados no fim da tarde,
Mas nada ofusca
Esse brilho que emana do fundo dos seus olhos
Quando qualquer palavra mais bonita é dita.

O mundo inteiro para!
Nada mais que passa é visto,
Pois nada mais importa.
Apenas uns versos de uma canção que me vem a mente.
"Michelle ma belle
Sont les mots qui vont tres bien ensemble"


As noites são muito curtas
E se vão tão rápido!
Quero abraços eternos,
Em meio a carinhos tenros,
Sob a luz de postes meio apagados
Encondidos em qualquer espaço
Onde nada seja ouvido
E o mundo não chegue,
Um lugar além
Além do que é real,
Para que lá possamos nos entregar
À loucura que nos invade o coração.

domingo, 19 de setembro de 2010

O parque da praça

Um carro vermelho,
Crianças sorridentes,
Palhaços que correm em círculos,
Atacados por multidões de pequenos corpos
Barulhentos,
Espremidos pelos brinquedos espalhados pela praça.

Sorri com a visão daquilo tudo,
Nos instantes que fiquei parado
Admirado como ainda há felicidade
Nos olhos destas crianças.

Continuei meu caminho rumo ao supermercado
Quase atropelado por um pequeno grupo
Que com um "licença aí, tio"
Correu até onde está o prato cheio de alegrias
Devorado pela multidão,
Que se alimentará daquilo tudo
E os encherá o coração .

Rimas quaisquer

Me senti na obrigação de fazer alguma rima de verdade,
Daquelas que trazem para os versos uma musicalidade
Digna de quem se auto-intitula um poeta.

Mas não sou bom com essas normas poéticas
De formas e obrigações estéticas.
Sou a favor da liberdade em qualquer instância,
Dos versos soltos, livres, tortos e sem cor
Como uma manifestação de uma infância
Sem o peso de uma responsabilidade maior.

Vidas passadas e futuras

Nada mais por aqui,
Só você.
E o mundo passa por nós
Numa velocidade que não o conseguimos acompanhar,
Então parado ficamos,
No que seria o fim da linha,
Apenas observando
O jogo de luzes surreais
Das almas que fogem aos corpos
Temerosas pela condenação eterna
Em um inferno que criamos
Para amedontrar as criancinhas
Que desobedeciam seus pais.

Não me contento em viver apenas uma vida,
É muito pouco o tempo que temos aqui.
Quero mais desse mundo!
Quero mais de cada parte dessa natureza,
Vasta, infinita!

sábado, 18 de setembro de 2010

Na madrugada eu sorrio

O mais surpreendente é acordar no meio da madrugada,
Quase manhã,
Ainda sobre o efeito ébrio de doses infinitas que quaisquer bebidas,
Nem abrir os olhos
E sorrir com a visão de uma imagem tão bela que recheia meus pensamentos.
A visão de seus olhos
Tímidos e sorridentes,
Fugindo aos meus,
Temerosos de entregarem seus segredos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Notícias de um sonho

Sonhei que meus braços eram tentáculos
E que todos meus amigos eram pequenos pedaços
De recortes de jornais antigos,
Daqueles que ficam guardados em caixas de papelão
No sóton ou no porão
Ou na laje suja entre restos de construção.

As notícias que eu os lia
Eram de um tempo que eu nem sabia
Que existiu.

Pelas várias portas de minha mente
Me invadiam pensamentos oblíquos,
Sobre ela que me olhava de longe,
Meio cabisbaixa,
Escondida por trás da estante
Esperando que eu a buscasse.
E assim o fiz.

Ao estar frente à ela,
Nada podia dizer,
Nem me mexer eu podia.
Era uma sensação nova.
Meu olhar a cobria
Por inteiro.

Por horas eu poderia ficar ali,
Apenas a olhando,
Esperando talvez algum gesto tenro,
Um abraço demorado
Que me tornasse parte dela.

Não me lembro muito mais,
Apenas que gentilmente a beijei
E puxado pela luz do dia que nascia
E invadia o quarto em que dormia,
Acordei.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eterna infância

Em uma breve conversa com Deus,
Lembrei dos meus desejos ocultos da eterna infância.
(Desejos não mais tão ocultos agora)
Não me entenda a mal,
Não queria ser como o Peter Pan,
Sempre em um corpo infantil
E com uma roupa um tanto quanto ridícula, convenhamos.

Meu espírito é de uma criança
Perdida nesse mundo feroz de adultos nocivos,
Correndo de um lado para o outro
Atrás de um esconderijo seguro.

Breve conversa com Deus

Sim Deus, eu tenho!
Tenho essa vontade de ser grande!
Tenho desejos infantis de morar em um circo
E passar a vida toda jogando bolas para cima
Tão sutilmente
Como nenhum malabarista jamais ousou fazer.

Oh! Deus,
Em sua santidade zomba de nós, não?
Sei que somos falhos,
Fracos
E inconsequentes,
Mas há tanta gente que ainda acredita veementemente
Em uma solução por sua parte.

No sétimo dia também quero um descanso,
Um descanso para a alma,
Cansada das tragédias do mundo.

Pequena vergonha

Espero pacientemente pela vergonha que me causará.
Imagino-me vermelho,
Frente às suas palavras
Contra atacado com minhas prórpias armas
Que tão sabiamente sei usar,
Para te arrancar um olhar perdido
Com os olhos escondidos
De mim.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Repartida

Te escrevo nessas linhas.
Isso mesmo, te escrevo,
Te risco nesses versos,
Repartindo em cada palavra
Um pouco de você.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um sorriso que me veio enquanto pensava na saudade que eu sentia

Diante do mar,
Imprevisto um sorriso,
Que invisto em descontento
Um debate de sentimentos
Em improvisos de uma chuva
Inesperada e sem juízo,
Saiu tão convencido
De uma felicidade sem sentido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aos amigos e amores

Caros amigos,
Venho por meio deste
Atestar a minha loucura.
Perdi a noção da verdade,
Do que é o certo,
Do que é o mundo
E minha realidade.

Hoje me encontrei sorrindo
Coberto de frio,
Sem roupa alguma
Sob minha cama empoeirada,
Cantando canções inventadas
Na própria madrugada.

Cortei os pulsos
E continuei a cantar.
Ah! Como era linda a ópera que fiz!
Tão dramática.
Com certeza arrancou lágrimas
Da minha platéia imaginária.

Todos os meus amores estavam na primeira fila.
Todos eles!
Assistindo de camarote minha destruição,
Sentiam o gosto do meu sangue,
Que misturava-se às lágrimas furtivas
Delas que não agüentavam me ver daquele jeito
E despiam-se como uma última tentativa de me salvar,
Com seus corpos expostos
E mãos sobre mim
Sobrepostas às línguas
Que me arrancavam o gozo.
Como era lindo...
E sujo, tal ato!
Entreguei meu corpo e minha vida
A elas que devoravam cada pedaço meu,
Moribundo,
Estirado e estraçalhado,
Louco!
Sim, louco, meus deuses!
Como pude sucumbir à loucura?
E é tão bela,
Tão deliciosa loucura pecaminosa.

Tão entregue eu já estou,
Mas ainda me lembro de agradecer
A todas elas,
Por terem me mostrado o amor.
E antes que me esqueça,
Foi com um tiro na cabeça
Que minha mente se calou.

Estou vivo

Pensamento! Peço que se cale
Ou te meto uma bala!
À merda com o que tenta me fazer acreditar,
À merda com tudo o que me fez fazer,
À merda!

Me sinto vivo!
Tenho chorado,
Tenho amado,
Tenho sentido meu coração apertado,
Acelerado,
Despedaçado
E entregue a diferentes mãos.

Me sinto homem!
Pro inferno com os pudores do mundo!
Me sinto homem
E extasiado!

O sangue pulsa
Nos músculos intumescidos,
Vibrantes,
Sob as carnes lascivas
De um fogo vivo,
Delirante.

Morte na esquina

Cantem em conjunto a sinfonia
De nossa vida.

Vamos todos!
Cantem à bala que corta o peito de um alguém
E um coração de um ninguém
Que chora sobre o resto de vida
Soprada e levada aos céus.

Vamos todos!
Corram à praça pública,
Enforquem o responsável,
Gritem pela justiça
Que não está presente
E chorem!
Chorem como as nuvens em dias de inverno
Um choro frio
E morto.

Último poema

Não é bom escrever sobre ela.
Deixe-a lá, onde quer que esteja,
Isolada, para que a esqueça.

Ainda não durmo nas noites.
Temo em fechar os olhos
E encontrá-la em algum sonho.

Deixo agora aqui um último poema,
E deixo claro que será o ultimo,
Pois sei que não possuo mais o direito sobre sua imagem,
Sobre sua beleza,
Sobre um corpo que não é mais meu.

Ah! Minha garota!
Sou apenas uma criança!
Não devia ter depositado em mim tanta confiança...

Peço que vá em paz,
Mas que guarde-me um pouco,
O pouco de bom que tirou de mim.

O mal que é o amor

Sozinho sorrio sofrendo
Somente por ser tão ingênuo
Em achar que Deus não tenha sido irônico
Ao criar sentimento maldito
Que corrói o homem por dentro
E o mata pouco a pouco.

Queria poder acreditar em final feliz,
Queria poder sorrir.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Domingo no Rio Vermelho

Ruídos das mais diferentes formas
Inebriam-me o ouvido.
Os motores dos carros que passam
Em alta velocidade,
Cortados pelas ondas que quebram
À beira-mar,
Encobrindo o canto dos pássaros que fogem
Da realidade,
Por sobre os telhados que cobrem
O santo altar.

As cores se misturam por aqui.
O azul do céu sem nuvens,
O verde-mar cuspindo o branco espumante das ondas,
O cinza quente do concreto construído
E o marrom de umas árvores com poucas folhas que me rodeiam.

Tem um movimento repetitivo de passos de lá pra cá,
Um movimento devagar
De corpos que se arrastam sob o sol de domingo,
Suados,
Torcendo para uma nuvem qualquer ofuscar
Por um segundo que seja,
Esse brilho incandescente do sol que, certeiro,
Teme em queimar
O Rio Vermelho.

Discretamente perfeita

Me vejo deitado,
Escondido sob uns papéis
De poemas antigos
Meio rasgados
De tanto que os aperto contra mim,
Tentando arrancar deles
Sua boca,
Seus cabelos,
Seu corpo
Tão perfeitamente descritos,
Tão discretamente perfeitos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O que já era de se esperar

Preso no sofá,
A televisão está desligada
Esperando dar o horário do programa preferido.
Vendo as sombras que passam nas paredes,
Imaginando diálogos entre elas,
Criando amizades através delas,
Amando quem não existe agora,
Levantando a mão
E pedindo esmola
Pronto para ir embora,
Sem saber que quem me espera lá fora
Trouxe-me um copo de cachaça,
Uma camisinha usada
E todo o amor que pode sentir
Junto com um cigarro que iremos dividir
Depois do êxtase numa cama de solteiro,
Numa casa sem chuveiro,
Quente, suja, mas que serve para mim.

De todos os livros que exibo na estante,
Mais da metade são apenas um toque estético para quem quiser olhar,
Gosto é mesmo de romance,
Daqueles mais fajutos,
E fico puto se alguém vem tentar me consertar
Dizendo o que é o certo,
O que eu deveria ler ou escutar.

Agora sento aqui sozinho
À espera de alguém que venha me resgatar.
Sinto falta de uma voz em meu ouvido
Dizendo que sempre vai me amar.
Olho então para cima
Esperando que o céu me jogue uma pedra na cabeça,
Pois assim acabará com todo esse sofrimento
E rapidamente fará com que o mundo todo se esqueça
Do que aconteceu aqui,
Do menino que andando na rua desapareceu
Consumido por uma luz que diziam ser de Deus.

Toda noite penso
Que poderia estar aqui alguém que eu possa abraçar,
Lembro então dos velhos dias
Quando eu era querido
E não faltava ninguém nesse lugar.
Lembro de quando não dormia só,
Das noites regadas a cigarros, alcool
E o seu maldito pó.
Dos muitos que aqui passavam
E que não os conhecíamos,
Mas sempre os arranjávamos um espaço pra ficar.

Gravei algumas vezes sua risada
E de vez em quando as ouço baixo como se ainda risse para mim.
Assim eu rio junto infantil,
Choro lágrimas alegres
De uma tristeza que nunca antes se viu.
Corro então ladeira abaixo,
Grito alto,
Voo baixo
Para tentar te encontrar.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tarde pré-primavera

Eu te vejo
E eu te peço um pouco mais de tempo
E um beijo no meu rosto
Em qualquer momento,
Sob o sol que queima,
Sol de quase setembro
Quase primavera,
Sol de qualquer lugar
Qualquer espera.

Procura-se uma menininha

Seus dentes não são mais de leite,
Não posso mais jogá-la nas costas,
Nem comprá-la com doces.
Hoje fala comigo como se fosse uma adulta.
Onde está aquela criancinha que peguei no colo?
E cansado de correr atrás,
Dormia primeiro quando devia te fazer dormir.

Um brinde à longevidade

Só mais uma coisa,
Que não pude te dizer
Na carta que te mandei
Naquele verão de trinta e três.
Eu estava apaixonado
Pela garota de pele branca,
Cabelos negros
E olhos grandes,
E que hoje anos depois,
Com a pele queimada pelo tempo,
Os cabelos já brancos
E os olhos cansados
Ainda é você quem me faz sorrir
Todas as noites
Depois do boa noite,
Igual desde sempre,
Mas que nunca canso de ouvir.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pequena partícula de nada

Queria que houvesse uma explosão agora,
Daquelas como o big bang
E que todo o universo se tornasse uma pequena partícula de nada
E nos reduzisse a nada.

É... nesse momento queria não ser nada,
Queria não existir por uns minutos,
Apenas dormir.
Isso sim, queria dormir.
Dormir por dias, semanas,
E quando eu acordasse
Um beijo eu recebesse
Em meio a um sorriso
Que eu tanto espero ver.

Acho que seria melhor se eu gritasse ao mundo o que sinto.
Te gritasse o que sinto!
Mas tenho medo de seus ouvidos não estarem tão atentos à mim
E de seus olhos estarem distantes
Que não veriam a minha vergonha em te declarar qualquer coisa.

Quero que você morra!
Que você morra em mim,
Que morra seu coração,
Para que nunca mais ame.
Quero enterrá-la fundo nas lembranças,
Escondida de todos,
Um segredo.

Admito meu choro.
Admiro esse choro,
Pois nunca antes tinha derramado lágrimas mais verdadeiras do que essas.

Ah! Mundo!
Quero que vá para o inferno!
E leve consigo todos,
Todos que aqui estão,
Sem exceção!

Afirmações sobre uns fins

Acabou a bebida,
Acabou o tempero
E a comida perdeu o gosto.
Acabaram os beijos,
Acabaram os sorrisos,
E os toques delicados em seu rosto.
Acabou o meu tempo,
Acabou o silêncio
E o contentamento.
Acabaram as linhas,
Está quase no fim a tinta,
Acabou o dia,
Acabou a poesia.

Partida

Ela sem a mínima compreensão foi embora.
Não quis nem acordar-me para avisar de sua partida
Ou dar-me um beijo no rosto como despedida.

E assim ela foi,
Sem um bilhete sequer
Sem uma explicação qualquer
Do porquê de estar indo embora.

Ela que antes se entregava nua
Ao deleite de prazeres sexuais intensos
E gritava o meu nome
Em meio à gemidos agudos,
Deve ter me olhado pela última vez sem sentimento algum.

domingo, 29 de agosto de 2010

Três e meia

No mesmo lugar
Todos os dias.
Em dias chuvosos,
Ou no sol do verão
O mesmo caminho
É feito até lá.
As mesmas escadas,
O mesmo ar,
As mesmas pessoas
Que não cansam de olhar
A rotina intacta
Dela, que às três e meia
Já está ali a esperar.

O que ela espera,
Não se sabe.
Trás consigo um saco cheio de roupas,
O mesmo saco e as mesmas roupas.
As estende no banco,
No banco que não há quem ouse sentar,
E então se senta ao lado
E ali, parada fica,
Com um foco não se sabe onde,
Através de um óculos embaçado,
Que parece não servir de nada,
Pois o seu olhar está no passado,
Nas lembranças que para sempre ficaram
E ainda a faz sorrir.

Alguma inspiração

Naquele lado tem um lugar bom,
Lá, perto da praia,
Onde o vento é mais frio
E a noite é mais escura.

Lá as ondas são ouvidas
Quebrando nas pedras,
Trazendo respingos gelados de água salgada,
Que confundimos com uma chuva que não existe.

São poucos os que se arriscam
A estar por lá.
Somente aqueles que buscam roubar do mar
Alguma inspiração,
Tendem a se sufocar
Na fumaça de um cigarro qualquer
Com o intuito único de se esquentar.

Você que passa por aqui,
Junte-se a mim
E vamos juntos viajar,
Por uns versos tortos,
Por meus segredos mais profundos.

Meu coração está aberto,
Está leve,
Está voando,
Está livre.

Seus olhos negros devem ser imortalizados,
Por isso esse espaço
Dentro desse poema sem graça
Para eles.
Para talvez assim haver um pouco de beleza nesses versos.
Que olhos!
Meus deuses! Que olhos lindos são aqueles!
Que me olham de uma forma infantil,
Tão sutil...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Down, down, down low,
To the ocean fire,
To the sky on fire,
To the ocean sky
Blue as your eyes.

Come, come, come together,
Let's sing along,
Our old song,
Let's get our friends
And fly away.

We can go anywhere.
Our mind should take us right
To where we belong,
So far from this world,
So far from their cold
Lives.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Gone

Through the rain,
Through the pain,
Once again
The love has gone away.

Nowhere to be found,
Down to the ground,
Screaming so loud
Dying in my hands.
And now to the end,
I'll search it again.

Eu não sou poeta

Não!
Eu não sou poeta!
Sou apenas uma criança
Com umas folhas em branco
E divagações que possam enchê-las.

Não!
Eu não sei rimar!
Não sei ser sensível,
Não sei contar sílabas,
Não sei o que é versar.

Não!
Eu não sou poeta!
Se porventura faço alguns versos,
É porque quero me livrar do que me aflinge
Ou exaltar o que me alegra.

Não!
Eu não sou molde
De uns conceitos antigos,
Ultrapassados,
De poetas frustrados
Que se acabam em seus versos
E se destróem em seus copos
Sucumbidos pelos vícios
E pelas mágoas do ofício
Que não os trouxe glória alguma.

Falta de sentido

É uma transfiguração.
Uma mudança de paradigmas frente ao que achava certo,
Um degradê de cores vivas,
Uns pensamentos que me vão.

Sei que não faço sentido algum,
Mas o sentido não foi para ser feito,
Foi para ser percebido
Por quem quiser percebê-lo.

Aquela bebida de ontem não me fez muito bem,
Trouxe de volta memórias de um tempo bom,
Não muito distante,
Mas que já era para ter sido esquecido.

E toda a fumaça
Me sangrando os olhos
Me invadindo a mente,
Queimando tudo por dentro de mim,
Me levando aos ares.
E eu criando asas,
Pronto para voar.

"...e então eu sorrio..."

"...e então eu sorrio..."
Ah! Desculpe-me caro amigo
Se pareço meio vago no que digo,
Mas é que estes versos
São continuação de um pensamento
Que me veio em um sonho.

Um sonho com aquela figura,
Aquela figura de quem tenho te falado.
Aquela que tira minha concentração,
Meu foco,
Minha atenção,
Aquela que meu olho segue em cada passo
E meu corpo tenta ocupar o mesmo espaço.

O sorriso que falei lá no começo do poema,
Veio após meus olhos
Cruzarem os olhos dela.
Ultimamente a tenho olhado bastante,
É como um imã que me atrai.

E toda vez que eu a vejo
Não escondo a felicidade que sinto.

"...e então eu sorrio..."
Penso eu novamente
Antes de fechar os olhos,
Vê-la escondida por trás das pálpebras
E levá-la pelas mãos para os sonhos meus.

Tímido sorriso

Sinto um sorriso me rasgando por dentro,
Querendo fugir face a fora
Toda vez que a vejo.
Mas ele sai pequeno
Timidamente indo embora,
Enquanto busco seu pequeno beijo.

Sonhos de saudade

Aquele seu cheiro
Entranhado por umas roupas
Me ajuda a dormir.
Agarro firme uma de suas blusas,
Tento tirar dela mais do que cheiro,
Tento tirar dela sua pele,
Seu corpo todo,
Como antes,
Jogado sobre mim,
Me cobrindo a pele nua,
Quente.

Encontrei um fio de seu cabelo
Enrolado e perdido pela cama
Que por tempos foi o palco do nosso espetáculo,
Mas que hoje, tristemesnte
Só serve de base para sonhos de saudades
E lembranças.

Ah! Como eu queria você aqui!
Imagino sempre você entrando pela porta,
Enxugando meu rosto lacrimoso,
Jogando sua foto no chão,
Me abraçando,
Se apertando na cama pequena,
Enquanto eu leio uns versos
Que te fiz.

As nuvens

Estes dias tenho observado as nuvens,
Nunca antes pusera sobre elas estes meus olhos admirados.
Elas, lá em sua superioridade altiva,
À mercê de qualquer vento
Que as dissipe,
Parecem não se importar muito com o que passa aqui,
Pois elas choram
E choram tanto
Que enchem os olhos de uns homens
Com lágrimas de tristeza
Que não há em seu celeste pranto.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ser só

Tudo não passa de uma grande mentira!
O que dizem,
O que fazem,
O que vejo!

Não agüento mais esse meu mundo!
Não o mundo em que vivo,
Mas o que criei em minha mente
E às vezes visito.
Visitas que estão mais constantes a cada dia.

Não agüento mais essas conversas,
Ou projetos de conversas,
Desgastantes,
Imbecis
E sem nenhuma fundamentação.

Às vezes penso comigo:
- Ser só não dá tanto trabalho.
Sei que posso contar apenas com meu papel em branco
E meus versos brandos.

Prefácio da segunda edição

Introdução

Me olhe,
Me pegue,
Me beije na boca,
Me chame de amor!

Me jogue na cama,
Me vista com todo
Seu perfume de flor!

Me faça rimas cortadas
Que te faço uns versos
Pequenos e sem cor!

Não deixe que eu diga adeus
Antes de te cantar
Uma canção.
Só minha voz e um violão.


Desenvolvimento

Não me queira mal,
Eu te quero bem,
Veneno mortal.

Rostinho sem sal,
Cabelos também,
Menina normal.


Conclusão

Não quero mais te ver,
Te sonhar...
Talvez...

E nesses sonhos,
Perdidos,
Pedirei para que me ame outra vez.

Menina baiana bonita

No samba eu fui,
Encontrei ela lá,
Dançando só,
Chamando atenção,
De saia rodada
All-star e uma blusa
Do Noel Rosa.

Vestida da fumaça
Dos cigarros alheios
Que a cobriam por inteiro,
Ela girava.
Seu copo vazio
Era só um acessório,
Para compor seu figurino
De menina baiana bonita.

Adereços balançavam
Do pescoço ao tornozelo,
E o rosto era escondido
Pelos longos cabelos
Que às vezes prendiam
Nas hastes dos óculos
De uns malandros
Que se aproximavam.

Distorção

Seus rostos, agora, derretem,
Principalmente em seu lado esquerdo.
Seus olhos, fundos e negros,
Me veem fundo e negro.

Suas vozes soam miados,
Cochichos soprados
Ao pé do ouvido.

E o tempo para!

A vida só acontece à medida que eu a vejo.
O que está distante de meu olhar
Não reage.
É estático.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para você

Para você: um milhão de versos!
Um milhão de versos longos,
Rebuscados,
Intermináveis.

Para você: as mais belas rimas!
Rimas coloridas,
Sensitivas,
Rimas tortas,
Doces rimas.

Para você: todos meus poemas!
Todos meus cadernos velhos,
Amarelados,
Rabiscados,
Com velhos poemas apagados
Que com vergonha escondi.

Para você: os meus pensamentos!
Pensamentos alguns,
Que roubei de alguém,
Pois eram tão bons,
Que se eu não os roubasse
Talvez não me inspirasse
A te escrever.

Para você: o meu coração!
Esse pobre coração apertado,
De menino-poeta ousado,
Que se mete ao ofício dos grandes,
Mas que como eles, sou um diferente.
Eu sou diferente!

Para você: meu sangue!
Minha veia cortada pulsante,
Meu desejo de fogo
E de carne!

Para você: meus dedos!
Que incessantemente te escrevem.
E por horas te fazem poemas
E por horas te fazem feliz.

Para você: uns olhos!
Olhos não meus, mas que têm vontade.
Que te olham por trás das palavras
Escondidos nas linhas de meus poemas vivos
Que te conhecem
E te vivem.

Para você: o nada!
Pois de tudo que posso oferecer,
Te dou apenas o mínimo.
Uns versos que chama de belos,
Mas que perto do que te desejo dar,
São pequenos gestos da minha forma de te amar.

Para você: minha vida!
Minha vida calma
De um suburbano qualquer,
Sem maiores agitações e perigos.
Uma vida boa de viver a dois.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não

Não!
Não me conte seus segredos!
Não me faça imaginar seus beijos!
Não quero saber de nada!

Não!
Não me olhe desse jeito!
Não me toque os cabelos!
Não invada os meus sonhos!

Não!
Não me pegue pelas mãos!
Não seja meu único pensamento!
Não acelere meu coração!

Não!
Não me faça dizer não!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Incógnita

Incógnita invariável
de meus pensamentos.
Lados opostos
no mesmo momento.
Sorriso pequeno
vertendo em palavras
Os tímidos olhares
detrás das máscaras.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

I

Não olhe agora,
Eu morro dentro dela,
Eu vivo dentro dela,
Dentro dela eu sou.

Nunca foi minha intenção decepcionar
Quem nunca antes tinha me feito derramar
Sequer uma lágrima.

Não se desligue de mim,
Tudo o que eu mais quero é poder te olhar para sempre.
Você é quem tem a chave do meu corpo
Que só se abre para você.

Tudo isso porque eu te quero,
Porque eu te desejo de uma forma
Que o próprio desejo se sente diminuído,
Porque eu estou aqui
E você me tem pra si.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Silhueta facial

Quando contigo falo
O olhar meu,
De sua silhueta facial,
Não desvia.

Você sempre em minha frente
E eu, com olhos, que parados,
Não conseguem ficar.

E nada mais quero ver,
Senão sua silhueta facial,
Que irremediávelmente
Me hipnotiza.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Modernismo

Suas linhas se embaralham
Entre versos,
Dispersos,
Recortados e colados
Em papéis usados
De um futuro
Que em um período curto
Veio,
Modernizou-se
E foi.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Calam-se as faces

Calam-se as faces!
Elas, estáticas, não mais transparecem
O que se sente.
São mortas.
De sorrisos, são mortas.
De lágrimas, são mortas.

Os olhos, enuviam-se.
São negros, grandes.
E param. Em um ponto distante
E não saem mais de lá.

Observam-se ao longe
As cores do céu,
Brilhando azul,
Sobre uma terra,
Pros lados do sul.

Aqui tudo é cinza,
Empoeirado,
Frio como os corpos que nos cercam.

Silêncio.
Nossa voz não ecoa.
Me calo.

Dela

Eu vejo os olhos fechados.
Dela.
Que deita à meu lado.

Eu beijo a boca sorridente,
Com lábios rosados,
Que me sorri largo
E me mostra os dentes.

Eu olho, paralisado, o corpo.
Dela.
Que se joga sobre mim.

Eu suspiro apaixonado por ela,
Que com uns olhos entimidados
Me olha meio de lado
E se esconde entre os braços.

Eu me perco entre esses braços,
Que se abrem delicados
E me abraçam demorado,
Enquanto eu me derreto.

Eu a toco desesperado,
Como que a roubando aos pedaços,
Os quais guardo em retalhos,
Que recorto em retratos
E os ponho em deleito,
Tentando buscar um sonho,
Embaixo de onde deito.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Transcendência

Tudo começou com um sonho.
Meus pensamentos seguiam um rumo
Diferente do previsto.
Meu corpo parado só observava.
Interiormente,
A mente, que mantinha um voo longo.
Perdido.

Diante do espelho
Meus olhos se encaravam,
Calados.
Acometidos por um súbito desespero
Eles então gritaram,
Dilatados
Em púpilas negras.

sábado, 26 de junho de 2010

Um pequeno ar de inspiração

Agora sentado aqui me vem um pequeno ar de inspiração.
Já passam das onze da noite,
A música ecoa do som do vizinho, estridente.
Minha música pouco diz, pois pouco a ouço;
Nem mais lembrava de a estar ouvindo.

Há um som de sono que reina nessa casa,
Todos dormem,
Apenas eu acordado,
Sentado frente à tela desse computador
Em que escrevo.

Sou um tanto quanto contemporâneo,
Moderno,
Antigo em alguns aspectos que me fazem mais moderno ainda.

Sou estranho à forma correta do mundo me ver.

Meu ar de inspiração se vai com o fim da canção
Que cantarolo sem preocupação
E medo de ferir em qualquer proporção
Que seja, o belo coração da menina
Em que, incessantemente, passo meus dias a pensar.

Numerais

Por duzentas e quinze vezes eu ameacei beijar teu pescoço durante o abraço longo. Você pela segunda vez tentou se soltar, mas um magnetismo louco te colava a mim. Eu não sei o que houve com o mundo lá fora - a sirene irritante da ambulância diminuiu o volume e as crianças pararam de tagarelar. Nenhuma voz. Apenas eu te dizia em silêncio o catálogo de sensações que você me provocava. Te apertei com uma intensidade maior, enquanto me alongava para o abraço encaixar perfeitamente. Ali - a partir da minha respiração ofegante em teu pescoço e meu coração louco pulando agora em teu peito - notei meu nervosismo. Tremi ligeiramente com a brisa gelada que acabou por levar cabelo à minha boca. Você acariciou meu rosto com delicadeza, ainda me recordo. Se havia ainda algum centímetro separando nossos corpos, você o preencheu nesse momento, com um novo enlaçar da minha cintura.

Tudo durou aproximadamente seis segundo: o tempo que você levou para ver seu ônibus ali parado. Se despediu já de costas. Não deu nem tempo de ver meu sorriso desapontado, de menina que vai chegar em casa e se lamentar por não ter beijado seu pescoço em nenhuma das duzentas e quinze aspirações.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dias tortos / Refeição

Eu
Ando
Meio
Torto
Esses dias.

Tenho
Ido
No
Contrario
Do mundo.

Misturando
Inteligência,
Lama
E uma
Pitada
De pimenta.

Num
Cálice
Que derramo
Vinho
E rego
As plantas.

Que acompanham
Uma estrela
Como
Entrada
Da refeição.

Ela
Como
Prato
Principal.

E uma
Nuvem
De sobremesa.

Sonhar

Se posso, enfim, deitar,
Por que não sonhar?
Por que não viajar
Nas asas de um sonho fantástico?
Daqueles que levam noites inteiras
Entre lampejos de despertares.
E são intensos. E tão vulgares,
Da ótica de um leitor mais pudico.

Eu sonho como se tudo o que houvesse
Fosse o sonho que me aquece
E me estremecem os nervos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Uns versos soltos

Introspectivamente semelhante ao meu distante.
Distantemente introspectivo ao meu semelhante.
Semelhantemente distante de um introspectivo
Estado de linhas cruzadas
Que sussurram em meu ouvido
Frases de célebres pensadores.

Catadores de lixo orgânico,
Poetas de versos soltos,
Temerosos da crítica alheia,
Por seus metros tortos.

Rodeiam-me a estética e a forma,
Afugentado junto-me à corja
Libertando-me da rima presa
E versando com pouca beleza.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Banho dos deuses

A multidão passeia
Pelos olhos dos que voam
Nos ônibus que levam embora,
Os amores que se vão.

Os deuses entornam
Uma taça de tinto vinho,
Sobre o mar
E cantam!

Os deuses descem a Terra
E nadam nesse mar.
Bebem de sua água,
Transcendendo sua consciência.

Minha mente verte imagens
Em cores vivas,
Tateadas em alto relevo.
As imagens dos deuses vivos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aquela garota

É a verdade que assombra a sua falta de amor,
É o tormento pelo descaso da falta de dó,
Daquela garota que te tira o suor
E te descasca feito batata. E a maior?
Ela diz na sua cara que te enrolou
E deu um nó
Pra te amarrar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Viagem às montanhas

Pedalando para movimentar as engrenagens da mente,
Verto em cores ferozes o que vejo.

Terceiras intenções de garotas sujas,
Dimensionando seus corpos vorazes.

Fritando os neurônios como alimentos
Em movimentos lentos.

Perdendo o tempo nas nuvens,
Passeando por sobre o céu.

E pedalando em direção do sol,
Pelo caminho mais curto.

Por trás das montanhas verdes claras,
Um caminho pra outro mundo.

Uma viagem além das montanhas,
Além de minha mente.

domingo, 13 de junho de 2010

Memórias

Perdidas em ilusões de um mundo vasto,
Soterradas sob uma torrencial de pensamentos
Esquecidos.
Afogadas em lembranças de um passado
Não tão distante,
Mas que ficou para trás.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fricativo oclusivo

Velhas virgens deslumbrantes
Vultos vindo de avante
Vendo vértices desestimulantes
Vastos ventos de cenários
Vagos vocábulos dicionário
Veste versos deletérios
Vãos venenos de crentes
Vazios vorazes descrentes
Vertendo visgo de gente
Violenta verdade deficiente.

domingo, 30 de maio de 2010

Há aqui

Há aqui cachorros que latem
E não me deixam dormir.

Há aqui vizinhos que falam
E se dirvetem por mim.

Há aqui crianças que gritam
E se perdem pelo imaginário jardim.

Há aqui meninas que pouco vestem
E passam o dia a sorrir.

Lábios

Esses seus lábios me lembram um doce que mascava quando criança.
Rosas e açucarados.
E também os mordo como mordia os doces.

Eu irei

Eu irei
Morto eu irei
Homem eu serei
No seio que eu sei.

Eu verei
Corpos eu verei
Tempo eu terei
Para voar e ser rei.

Eu terei
Sonhos eu terei
Outra vida viverei
No mundo que te dei.

Eu amarei
Ela eu amarei
Em todo lugar eu estarei
Como o rei que sei que serei.

A riqueza e o homem

O mapa está nas mãos,
Um passo pra frente, um passo pra trás.
O tesouro se aproxima,
E toda essa gente canta querendo mais.

O canto cessa e derepente
Toda aquela gente
Que me seguia, pára imóvel.

Os olhos fogem para o escuro do fundo
Da mente, tentando se esconder do mundo
Que os engole de forma calma e dócil.

O mapa se perdeu por entre
As mãos que me arrancavam o ventre
Que encolhia-se em dor sútil.

A riqueza cega os homens que enxergam
Nela sua própria ascenção e negam
A felicidade que o mundo propõe inútil.

E enfim se contagiam como se um vírus
Os destruíssem em bombas e tiros
Pela visão do olho que vê fútil.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A chama da vela

A chama da vela dança,
Dança desritmada
Sua valsa contemporânea
De passos tortos
E delirantes.

A chama da vela segue
O vento que quase a apaga
E a faz tremer
Pavorosa de esvair-se em fumaça.

Agora fecho o caderno
Tiro os óculos
E olho a vela.
Sua chama é minha única luz.

Deito na cama,
Cubro meu corpo
E sopro a vela.
A um ponto na escuridão ela me reduz.

Noite na grama

Sob a fraca luz desta lua crescente
Sinto a liberdade que é minha por direito.
Sob todos estes olhares variantes
Não me sinto em julgamento.
E todos estes sorrisos que me rodeiam
São um tanto quanto inspiradores
                                                    [e úteis]
Para alimentar a minha fome de versar.

Noite de calor

Me beije,
Me morda,
Me arranhe,
Me jogue na cama
Me faça criança
E brinque comigo
Essas suas brincadeiras de cego amor.

Se vire
E revire os olhos com tantos apertos.
Minhas mãos passeiam
E cobrem seus peitos
Em meio a suspiros cheios de fulgor.

Esqueça o que já passou
E se case comigo!
Vamos para o México
Sermos bandidos
E vivermos da fúria, do sexo e do ardor.

Nossa lua de mel
Será nas Bahamas
Presos num quarto
Onde nossa cama
Será o palco do nosso show.

E a cada ato
Mil gritos!
Cada vez mais altos
Até seu orgasmo
Lindo e redentor.

Então voltaremos
À vida real
Extasiados!
Após tantos sonhos
Nessa noite de calor.

domingo, 23 de maio de 2010

Sobre o amor

Um só amor não pode durar uma vida inteira,
Pois uma vida inteira não é feita para um só amor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Tragédia Diária

Agora a tragédia é diária,
Uma nova explosão a cada dia,
Toda noite uma estrela cadente,
As luzes apagadas e orgasmos.

No amanhecer o sol não nasce,
E um eclipse nos deseja bom dia,
Por trás da fina chuva que diariamente nos banha,
E se entranha em nosso lar.

Agora os versos são livres
E as rimas podem vir ou não.

A cada novos olhos, lágrimas,
E os corpos molhados
Cheios de lástimas,
Se entregam ao novo mundo.

Passagem do circo

Lá vem o palhaço a gargalhar,
De um lado ao outro
Vem caindo ao tropeçar.
Seu sorriso pintado
Enorme e imutável,
O deixa ainda em seu espetáculo.

E traz consigo a massa,
Que o segue a pular,
E assim dançando vão
À um novo picadeiro
Com os seus chapéus nas mãos.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Versos...

Essa seria a hora propícia
Para apertar o botão que desliga a vida.
Queria ser outra pessoa agora,
Uma pessoa que você quisesse que eu fosse,
Um outro alguém,
Diferente do que eu fui.

O homem que não conhecia o amor

E ele pulou...
O homem que não conhecia o amor.
De olhos fechados,
Pelo pavor
Do que ele via ao seu redor.

Para contar sua história,
Seria pertinente rimar
O amor que não sentia
Com a dor que o consumia.
Mas não o faço,
O homem era um poeta.

Ele sempre dizia
Que após sua grande obra
Nos deixaria.
E grandes obrar vieram,
De uma fonte que nunca se esgotou.
Não era um poeta
Que não sabe versar,
Como eu sou.

O admirava como um irmão,
Seus versos intensos,
Arrancavam de mim a solidão,
Salvando o que havia ainda de bom.

E agora se vai
Versando na queda,
Levando o fim da sua existência,
A um patamar de total exelência
Nunca antes vista
Em algum lugar.

Jardim

Extrato de flores,
Redoma de odores,
Vermelho de pétalas,
Por cima das dores,
Curando os amores,
Que matam as células.

Sentido perdido,
Caminho esquisito,
Ruas que não conheço,
Dum bairro querido,
Onde hoje vivo,
Com meu total apreço.

Extenso jardim,
Exalando jasmim,
Por cima do muro,
Que para mim,
É díficil, enfim...
Amolecer meu coração duro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Observar o mar

Veja a beleza concreta que há na orquestra do mar,
Encantando com a sinfonia que as ondas fazem ao chegarem fracas à areia
Que vazia, dá lugar a uns poucos corpos,
Separados. Que observam outros corpos,
Molhados. Que se jogam sobre as ondas,
Cansados. E se olham entre si,
Interessados.

Parece outra realidade,
Diferente do mundo que passa por minhas costas,
Barulhento, sujo e cinza,
Cria-se aqui uma atmosfera nova,
Bela e ensolarada.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Bailarina

Que eu tenha a redenção
Dos meus sujos pecados,
Ao desejar o que não posso ter
E ao ter ao alcance dos olhos
Sua completude de um belo ser.

Traço os planos de uma mente louca,
Fazendo caminhos por sua roupa
E todos seus meandros,
Que aos poucos vou desbravando
Até seu íntimo suspiro,
De garganta rouca.

Leva-me e lava-me a alma,
Sem a calma púdica
De um abraço de esquina.
Deixe-me e dê-me as costas
Para que ao ir embora
Eu possa contemplar seu contorno de bailarina.
Sorria-me e faça graça
Envergonhada por alguma piada
Que ao te envermelhar transparece seu brilho de menina.

terça-feira, 11 de maio de 2010

"C'est à toi que je dois ces joies profondes"

Aprendo uma nova língua para ter mais maneiras de dizer te amo,
Para poder de novas formas exaltar tua beleza branca.
Cantar os versos certos das canções que não entendia,
Mas que eram belas desde sempre.

Quero ser como nos filmes,
Olhar nos teus olhos,
E com uma canção qualquer ao fundo
Dando a trilha desse momento,
Puxá-la para o mais perto possível de mim,
Para que nossos rostos se enquadrem nessa cena,
E nossas bocas se toquem,
Em meio às palavras soltas,
Arrastadas por entre os dentes;
"Comment pourrais-je vivre
Si tu n'étais pas là"

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Afonso Arinos

Que saudades eu tenho de minha gente!
Dos sorrisos largos,
Fugindo dos cachorros,
Por entre as árvores grandes.
Das mangueiras que alimentam os bois do vizinho,
Na olaria abandonada,
Que hoje faz turismo com quem vem de fora,
Pelo Rio Paraíba
Margem à margem.

Que saudade eu tenho daquelas redes,
Do quintal verde,
De grama rasteira para a bola correr
Até o portão longe,
Beirando a linha do trem.
A vida para quando o trem passa,
Todos querem ver a Maria Fumaça.

Que saudade eu tenho da viagem até lá.
Subir a serra,
Entre a neblina densa
E o frio congelante
Invadindo o carro,
Espalhado em lençóis
E corpos cansados.

A lembrança em algum tempo não mais haverá,
É mais fraca a cada passar de ano,
A cada ano que não vou lá.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Escuro do pensamento

Tenho medo de abrir os olhos,
No escuro do meu pensamento.
Não sei direito o que vive lá dentro,
Por entre os monstros infantis
E os pensamentos nela.

Quando a noite vem e eu deito para dormir,
Uma ilusão de cores permeia meu sono,
Em sonhos doces,
Nos quais eu despenco do alto de um prédio
Em uma panela de água fervente
Na minha casa da infância.

Queria ter uma faca,
Para matar meus pesadelos,
E enterrá-los bem fundo na minha mente,
Sob o peso das lembranças da vida no Rio de Janeiro.

Uma sincera declaração.

A Adriana Alves Santana

Há três dias encaro uma folha vazia,
Tentando escrever-te alguns versos.
Meus velhos versos já conhecidos,
Previsíveis,
Mas que sempre arrancam um sorriso de seu rosto.

Sei que estou em falta.
Não só por isso,
Mas por muito mais.
E é tão grande a falta que você me faz,
Que a saudade existente em mim,
Já se tornou parte
Da minha fraca arte
De poetizar.

É como se dentro de mim faltasse um pedaço,
Um grande pedaço de você.
E nesse vazio, apenas corre o ar que respiro,
Transformando-se em constantes suspiros,
Perdidos em qualquer lugar;
Em janelas de ônibus,
Molhadas de chuva
E embaçadas.

Traço esses versos como uma declaração,
Uma declaração de amor não-convencional.
E termino como a criança que sou
Com um versinho,
Apaixonado,
Bem pequenininho,
De duas palavras
Que se faz entender:
Amo você.

O cego

Dias atrás pelo centro
Eu vi um cego com traços cênicos.
Ele gritava coisas
Sobre o fim do mundo
E sobre o fim dos tempos.

Poucos ali o observavam,
Alguns parados
Com os olhos vidrados,
Prestando atenção
Em cada palavra
Que o cego gritava
Em seu desespero particular,
De olhos fechados
Com a boca trêmula
E as mãos que voavam por todos os lados.

O cego clamava para que o ouvissem,
Havia que simplesmente respondesse “não”.
Mas outros ali ficavam
Admirados e com dinheiro na mão.

Dinheiro que jogavam no chapéu do cego
Que ao ouvir o barulho de tanta moeda
Agradeceu em reverência,
Àqueles que o cercavam com veemência.

O cego era um poeta,
Anunciando a morte do mundo,
Em um dia de outono.
Sobre as folhas secas
Ao amanhecer.
Quando a Natureza comandará
Com sua revolta
O ataque final,
Tomando de volta
O que é seu.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Brincadeira entre olhares

De longe a vejo,
Meus olhos fogem dos seus,
Envergonhados.
Tento segurar um sorriso
Que quer pular de minha face
E pousar sobre você.

Fazemos um jogo,
Uma brincadeira entre olhares.
Seus olhos grandes me perseguem,
E me percorrem,
E me engolem!

Canto

A voz que ecoava em seu ouvido,
Hoje não está mais lá.
Aquele canto doce e macio
Que te acalentava nas noites frias
Já não se ouve mais.
E agora você espera,
Despida sobre a cama,
O canto que te fazia mulher.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fantasia

(CHICO BUARQUE)

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão
Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a aterra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revirando o dia
Noite e dia, noite e dia

Quem sabe a canção de Chico me traga alguma inspiração nessa manhã que tentei me fazer por longos versos, mas que nem rimas pobres eu acertei.

Sono

A cama me convida sensualmente,
Não resisto e me jogo à ela.

Celeste

Celeste, Celeste, Celeste!
Diga o que queres,
Diga quem realmente és!
Oh! Querida Celeste,
Minha modernidade se vê ofuscada por seu arcaísmo.
Me ensine a rimar, minha querida.
E que os meus poemas sejam sonetos,
Alexandrinos!

domingo, 25 de abril de 2010

Conforto e solidão

Deixe-me só,
Finja que não existo.
Só por uns minutos,
Deixe a luz apagada,
E a música tocando.

A escuridão se mistura a fumaça de um cigarro aceso,
O hábito não é mais vício,
É meramente inspirador.
As metáforas são mentiras,
Exaladas pela falta de um ventilador.

Me conforto nessa solidão,
Na espera talvez do telefone tocar
E do outro lado uma voz doce me falar.
Mas a ligação não vem,
O tempo passa,
E os versos saem,
Sem qualquer pudor,
Sobre qualquer coisa.

Eu vejo

Pela fechadura eu vejo,
Eu vejo o outro mundo,
Eu vejo a luz,
Eu vejo a paz,
A paz de espírito
E descanso.

Pela janela eu vejo,
Eu vejo a vida,
Eu vejo a lua,
Eu vejo a rua,
Os que passam
E durmo.

Pelos óculos eu vejo,
Eu vejo palavras,
Eu vejo versos,
Eu vejo poesia,
Algumas são minhas
E sorrio.

Pelas nuvens eu vejo,
Eu vejo as estrelas,
Eu vejo aviões,
Eu vejo morcegos,
Sedentos por comida
E me escondo.

Pelas ruas eu vejo,
Eu vejo o dia,
Eu vejo a noite,
Eu vejo quem me olha,
Todos os dias
E sonho.

Versos adultos (Oposição aos versos infantis)

Quero senti-la por completo,
Saborear seu sumo,
Sentir seu gosto.
Ah! Seu gosto!
A maior exibição da existência de um Deus,
Um Deus não-cristão,
Um Deus impuro,
Lascivo e pecaminoso!

Quero servir-me de seu corpo,
Como em um banquete,
Comer-te por inteira,
Saciar-me em sua boca,
Vê-la sorrir pelo desejo que a invade.
Tudo o que quero
É amar-te um amor selvagem!

Versos infantis III

Guardei esses versos para presenteá-la,
Por tempos foram esquecidos,
Na última folha de um velho caderno,
Rabiscados com um lápis,
Riscado em algumas linhas,
Colorido em minha mente,
Engasgado na garganta
E expelido em alguma noite que não me recordo.
Nunca me recordo.

Versos infantis II

Sonhei com ela,
No sonho ela era minha.
Me apaixono novamente a cada dia
E a cada paixão uma nova vida.

sábado, 24 de abril de 2010

Versos infantis

Gosto de fechar os olhos
E pensar nela.
Gosto de sentar
E ouvi-la falar.
Às vezes não consigo
Parar de olha-la.
E quando ela me olha
Só posso sorrir.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sol da manhã

O sol bateu no rosto negro escondido na sombra da parede do quarto
E me acordou.
Esse rosto é meu.
Quem do meu lado estava já havia despertado,
Se espreguiçava demoradamente,
Seus cabelos pendiam sobre a face avermelhada
Escondendo os olhos, ainda fechados, da luz que cegava.

Seu rosto veio a mim,
Procurando abrigo contra a luz.
Aqui, escondidos do sol,
Nossa manhã virou noite.

Nos desprendiamos em movimentos curtos,
Um tanto lentos,
Virando nossos corpos um sobre o outro,
Sonolentos.

O vento começou a balançar a rede do lado de fora,
As roupas batiam contra a parede,
Os passos aumentavam,
Aos poucos a casa ia despertando,
O mundo ia despertando
E nós ali...
Como se não fizessemos parte,
À margem.
Para nós a vida começa quando o silêncio reina,
Por isso ficamos ali,
Esperando o mundo passar por nós,
E então nos levantarmos,
Saudando a natureza que nos brinda.

domingo, 18 de abril de 2010

Diga a ela que fui passear

Vai papel ao vento
E diga a ela que fui passear,
Pelos vales do mestre do tempo.
Que nenhuma alma viva ousou passar.

Deixe por conta dos libertos,
Bradar aos quatro cantos,
A minha fuga.

E assim, dispersos,
Os guardiões do templo,
Correrão ao mestre
E ajoelhados diante deste, suspirarão.

Diga a ela que voltarei,
Para que me espere,
Imaculada.
Em seu leito espere deitada,
Que a retirarei na minha volta.

sábado, 17 de abril de 2010

Um pouco sobre ela

Partiu de dentro de mim essa novidade,
Esse descontrole desenfreado,
Uma descontinuidade de pensamentos avulsos,
Embalados pelo descompasso do bater do coração,
Que batuca adoidado,
Uma canção de amor do Arnaldo, o Antunes.

Começou como uma simples sonoridade,
Uma voz ao longe,
Como um canto de sereia,
Hipnotizante.

Mudou para um olhar,
Que me sorria ao brilhar.
E eu pulava, espamava.
Me sentia um livro aberto,
Prestes a ser engolido por aqueles olhos.

O que eu mais queria era ser engolido,
Mas como sou um tanto polido,
Meu maior pedido,
Foi um beijo no ouvido,
Seguido de um estalo e um arrepio.

E de longe vem ela,
Com aquele contorno magestoso
E passos que paressem levá-la ao paraíso.
A luz do sol,
O vento,
As gotas d'água que voam dos irrigadores,
Parecem efeitos manipulados pela natureza,
Para que sua beleza,
Já tão exaltada,
Livre nossa mente de todos os horrores.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sonhar poesia

Sonhei que era um poeta barroco
E escrevia-te sonetos com meus decassílabos
Bem rimados,
Rimas ricas, devo dizer!
Nesses sonetos apaixonados.

Sei que gosta das poesias bem feitas,
Que as palavras te encantam
E por toda noite sonha com elas.
Durmo com os belos poemas que nunca farei,
Para estar nos seus sonhos
E quando eles se tornarem realidade
Estarei eu aqui.

Agora, aqui no meu canto,
Com meu papel e minha caneta,
Não sou mais aquele grande poeta,
Nem o seu sonho.
Agora, sou cru,
Sou o eu, como eu sou.
O pequeno menino metido a poeta.

Foi bom sonhar poesia,
Sonhar você.
Te poetizar em meus eternos versos,
Te eternizar em meus poéticos inversos,
Te amar numa eternidade de uma noite.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Canto do mar

Ouço o assobio do vento,
Cortado por dentro
Por um avião que já pousa,
Que vem de lá longe,
E tranquilo ele voa,
Como uma calma fuga,
De toda essa chuva,
Caindo sobre o mar,
Dançando com a canção que ela ecoa.


Sim! O mar canta!
Canta os acordes da canção que a chuva traz.
Dançando pelo ar com o frio que hoje faz,
Formando uma onda que nas pedras bate,
No silêncio em que a praia dorme.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Confissões de um bêbado antes de acender um cigarro

Hoje é o melhor dia de minha vida!
Sim, o melhor.
Nunca houve dia como esse,
Veja só como esse sol brilha,
Olhe aquelas crianças,
Como correm!

Daqui vejo tudo,
Desse mesmo degrau já vi muito acontecer.
Estava aqui bem antes desses degraus,
Antes desses pedantes que teimam em me tirar daqui,
Antes dessas crianças,
Antes dos pais dessas crianças serem crianças.
Estou aqui desde sempre.

Na minha boa época vivi aqui coisas boas,
Dos melhores uísques eu bebi,
Hoje esse álcool com açucar me satisfaz.

Confesso que não sou feliz com o que me tornei,
Olhe meus amigos,
Poucos deles restaram,
Conto nos dedos os que daqui saíram e não voltaram,
Esses não são mais amigos,
Eles não me conhecem mais
E não contesto esse fingimento.

Ah! Meu caro,
Aqui vejo a tristeza do mundo,
O mundo é triste pela madrugada,
Junto com a luz do sol,
Vai-se a tristeza
E fica o receio,
Os olhares assustados a qualquer passo mais apressado,
Aqui, a vida não tem rumo,
Não tem destino,
Não tem dono!

Deus esqueceu-se da noite,
Nossa vida não é mais nossa,
É de quem quiser tirá-la a qualquer momento,
A minha vida há muito que perdi,
Ou a troquei por qualquer centavo que me enchesse o pensamento.

É meu amigo,
A beleza aqui não é bem-vinda,
Continue escrevendo suas linhas sobre coisas que não existem,
Enquanto o dia finda.
Lá vem a escuridão,
Com ela o cavaleiro sem coração,
Um santo!
Não daquele que mata dragão,
Mas o que rouba alma,
Em cada noite calma de verão,
"Limpando" a rua da nossa poluição.

É hora de ir embora meu caro,
Acenderei o meu cigarro
E enquanto fumo
Não sou muito de papo,
Então sigo o seu rumo,
Até sua cama em seu quarto
E veja no dicionário do seu computador,
O que significa a vida.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"...E o vento levou"

Olhe o céu,
Aquelas nuvens que sorriam
Hoje se fecharam,
As estrelas que falavam
Hoje se calaram.
É um dia triste,
Um bom dia para ser ignorado,
Conceda-me essa dança e te contarei mais.

Minha querida,
A guerra já acabou,
Sinto pelo seu marido que lá ficou,
Deixou sua marca e não voltou,
Sua aliança não te serve mais,
Seu luto não te serve mais,
A pobreza e o desespero, agora, são seus maiores rivais.

Não consigo parar de amá-la,
Seus olhos azuis movendo-se de lado a outro,
Sua pele branca
E essa boca vermelha...
Ah! Essa boca!
Deixe-me beijá-la,
Como homem algum já a beijou!

Ah! Querida!
Não posso para sempre esperá-la,
Preciso fazer algo com minha vida.
Decida-se!
Ou me quer agora
Ou vou embora!
Mas saiba que sempre a amarei
E um dia eu voltarei para buscar o seu amor.

O que é mais díficil para mim
É tentar ter um coração que sei pertencer a outro,
Mas peço que reflita
E pense,
O coração que quer para si
Já tem sua dona
E a honra e o amor que une aqueles dois belos corações
É maior que qualquer amor que pode nascer em você.

Mas como é linda!
Ainda não acredito como pode me amar,
Ás vezes acho que tudo não passa de uma ilusão,
De uma mentira!

Peço permissão para esquecê-la,
Irei embora agora,
E nada do que diga será capaz de trazer-me de volta!

"Amanhã é um novo dia"

sábado, 27 de março de 2010

Carta a um amigo

"Nada de novo no front"
Sem maiores novidades,
A vida vai boa por aqui,
Tudo corre bem,
Seguindo seu rumo.
As crianças ainda não vieram,
Mas espero em breve a chegada de alguma
E faço questão da sua visita,
Seu posto de padrinho está garantido.
A Adriana passa bem,
Está feliz.

E por aí?
Como vai o trabalho?
Sei que anda bastante ocupado.
É um dos grandões agora, não?
Mas pelo visto ainda mantém o mesmo coração,
Do tempo de criança,
Dos dias que corríamos pelo gosto de correr.
Eramos tão livres!

É bom saber de você,
Saber que está bem,
E o mais importante
Que está feliz.

Bom, me despeço com um forte abraço
E o desejo da maior felicidade que possa ter.
É bom saber que ainda tenho um amigo verdadeiro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um jornal de hoje, por favor.

Um jornal de hoje, por favor.
Veja só, não entendo esse negócio de dólar,
Um dia sobe,
No outro desce,
Dizem que influencia a nossa economia,
Mas sempre vejo tudo mais caro no mercado,
Seja na alta ou na baixa desse dólar.

Essa parte de economia eu nem leio,
Vai para ficar no canto,
Na cama do cachorro.
Classificados...
Gosto de ver os preços das casas que nunca terei.
Esporte...
Se me perguntarem a escalação do meu time,
Não sei se acerto nem quem é o técnico.
O mundo anda mesmo perigoso, não?
Mais atentados,
Carros bomba,
Exércitos invasores,
Assassinatos...
Enfim, essa parte guardo para mais tarde.

Ei, me vê aquela revista ali.
A capa me parece interessante,
Fala sobre o assassinato do cartunista,
O daime.
Sabe que depois disso tudo me deu uma tremenda vontade de tomar esse daime?
Acho que não só em mim.
Não, não vou levar,
Vou dar uma olhada aqui mesmo.
Uma folheada, leitura dinâmica,
Uma olhada nas figuras,
Pronto!

Olhem aquelas crianças,
Mais ou menos doze anos,
Tentando comprar a mais nova playboy,
E um maço de cigarros,
Que provavelmente fumarão dois,
Não aguentarão e o resto vai para o lixo.
Falar em cigarro, tenho poucos.
Me vê uma carteira de Carlton, seu Raimundo.
E um isqueiro que o meu eu perdi,
Ou roubaram, não sei.
Aquela noitada de ontem acabou comigo.

Se incomoda d'eu fumar?
Ah! As palavras cruzadas!
Resolvo umas três que já estavam na cara e guardo o jornal.
Essa fumaça,
Esse outono,
Esse clima frio,
Essa Nova York dos anos 20,
Essa minha mente poluída por pensamentos eróticos com as moças de minissaia,
E pela fumaça do ar frio do outono.

Lembro que preciso passar na farmácia,
Acabou o descongestionante
E com esse tempo o nariz teme em falhar a noite.
E essa copa do mundo?
Será que o Brasil ganha, seu Raimundo?
Uma torrencial de pensamentos futebolísticos,
Dos quais entendo pouco mais de um terço,
É jogada sobre mim.
Táticas, escalações, formações, substitutos...
Ouça a tudo,
Pensando em nada.
Volto o pensamento as moças de minissaias,
Volto o pensamento a farmácia que logo fechará,
E ao trem que terei de pegar,
A essa hora não mais tão cheio,
Certeza de que sentarei,
Ao lado de um estranho qualquer,
Que não me interessará da onde vem e para onde vai.

Antes de ir pego o guia da TV,
Procuro entre os canais algo que seja útil assistir,
Alguns filmes repetidos,
Programas aleatórios sobre assuntos não tão interessantes,
É, acho que a TV só me servirá como fonte de luz essa noite.
Tomarei uma sopa,
Depois um café,
Um cigarro,
Farei as palavras cruzadas e dormirei por sobre o jornal.

Olho para o relógio,
Dou um rápido adeus a seu Raimundo
E desço correndo a escadaria do plataforma,
Em pouco virá o trem para casa.

Um copo de café e uma aspirina, por favor.

Um copo de café e uma aspirina, por favor.
Que se explodam comigo todos os comigos de mim,
(com o perdão de Pessoa)
Sente-se senhora, o seu chá virá em um instante,
Já se passaram das cinco horas,
O chá atrasou!
Onde está sua pontualidade britânica, Sir?
Torradas para acompanhar o chá?
Temos os mais deliciosos patês!
Ah! Coisa chata esses britânicos,
E os americanos!
Gosto mesmo dos depressivos,
Eles sim sabem viver a vida!
Ou não...

Onde está a minha aspirina?
A essa altura o café esfriou.
Não, ainda está morno,
Mas está sem açucar!
Quem em sã consciência me traz um café sem açucar?
É um ultraje!
Quero falar com o gerente!

Menina bonita a do caixa,
Percebi que me olhou umas duas vezes,
Tenho que mudar de lugar,
Minha vermelhidão envergonhada já transpassa minha pele negra.

Como está vazio isso hoje!
Realmente o serviço não é mais o mesmo de anos atrás.
Quando dessa terra provinham pessoas educadas,
Com caráter!
Ah! Sim! Agora chegou minha aspirina!
Por incrível que pareça a cabeça não mais dói.
Mas tomo a aspirina por preucação.

Oh! Deus!
Oh! Nietszche!
Quero forças,
Quero sucos de laranja com gelo,
Quero forcas para os insolentes,
Quero filosofias milenares!
Quero entender Kant!
Quero uma explicação consisa e precisa do porquê de aceitar Jesus!
Até agora não tive nada,
Até agora só uma aspirina e um café.

Penso em um pedaço de torta,
A vi no balcão,
Parecia apetitosa.
Mas está acima do que posso gastar
E não sei se conseguirei comê-la sozinho,
Preciso de alguém com quem dividir.
Pena que meus amigos ficaram no passado,
Em outro lugar,
Em outra vida,
Em outro eu.

A senhora do chá com torradas já foi.
Puxando seu cachorro pela coleira.
Um cachorro feio por assim dizer,
Um tanto desgostoso por estar naquela situação, creio eu.
Soltou-se da coleira e correu atrás de um gato que passou,
Desesperada, em gritos ela o chamava "Munford! Volte aqui menino!"
Acho que o pobre cachorro nunca havia se sentido tão vivo.

Ri daquela situação,
Percebi que a menina do balcão também ria
E olhava para mim,
Como que se esperando algum comentário.
Baixei os olhos.
Voltei ao fundo da minha xícara.

Ainda quero aquele suco de laranja!
Vejo que a menina do balcão se aproxima,
Suo.
Não quero mais café, obrigado.
Mas um suco de laranja seria bom, por favor.
Com gelo.

Já passam das seis,
O trem para casa a essa hora não é muito convidativo,
Mas há outras coisas a serem feitas.

Olhe aqueles dois homens ali,
Colegas de trabalho talvez,
Vestem-se como quem tem trabalho importante,
Com suas pastas de couro do lado,
Papéis e mais papéis devem se perder ali dentro,
Grandes contratos,
Milionários talvez,
Entre grandes empresas,
Talvez do ramo imobiliário.
É o ramo que mais cresce por aqui.
Eles sim são importantes!
São os homens que movimentam o mundo.
E o que eu faço?
Escrevo sobre esses homens,
Conto suas histórias,
Leio suas mentes e crio seus mundos no papel.
Toda minha vida é um grande passatempo,
Uma brincadeira infantil.
Mas não pense que lamento,
Sou feliz com isso,
Não aguentaria o peso de ter a responsabilidade de movimentar o mundo.

Enquanto isso continuo na minha brincadeira.
Pago meu café e meu suco,
A menina do balcão me dá outra aspirina.
"Em caso da dor voltar"
Sorrio um sorriso verdadeiro para ela,
Pego meu troco e saio.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O que seria do mundo no fim do mundo?

Mas e se o mundo acabasse agora?
O que seria daquele sorvete que não tomei?
Chocolate com cobertura de caramelo...
E toda aquela carne que não comi?
Faria diferença?
Não teria salvo o mundo.

Todos os beijos que eu dei,
De nada me serviriam agora.
Todo o sexo,
Hoje não mais importaria.
E todas aquelas noites que passei acordado?
Sejam elas em festas ou mesmo com insônia.
Os dias sonolentos que passei após elas também não fariam diferença.

Seriam mesmo os dias felizes esquecidos?
Os sorrisos seriam apagados para sempre?
As meninas. Ah! As meninas!
Elas também não fariam mais diferença.

Mas e o sorvete?
Realmente me preocupo com ele.
E constantemente me pergunto,
O que seria do mundo no fim do mundo?

terça-feira, 23 de março de 2010

De onde vem?

E essa loucura que me aflige, de onde vem?
De onde vem essa flor que me cobre?
De onde vem esse vento que me encolhe?
E essa chuva torrencial, de onde vem?

De onde vem esse sonho que me faz sorrir?
E esse olhar que me persegue, de onde vem?
E essa escuridão dessa manhã, de onde vem?
De onde vem essas palavras que sopram em meu ouvido?

E esse seu jeito de mal-me-quer, de onde vem?
De onde vem esse seu instinto?
E essa sua forma de me amar meio estranha, de onde vem?
De onde vem esse brilho dos seus olhos?

De onde vem essa sua vontade de se jogar em minha cama?
De onde vem esse seu desejo incontrolável de derrubar as minhas coisas?
E essa sua fraqueza após todo o prazer, de onde vem?
E esse som de despertador, de onde vem?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Palavras para descrever meus dias (todos iguais)

Subdesenvolvimento de minha mente
Mente a cada momento sobre o que sente
Anti-heroísmo conformado
Sou o que corre
O fraco

Hifenização dos meus compostos
Gramatização da minha língua
Mais derivação desses tais verbos
E a continuação da pouca vida

Meninas com seus cabelos lisos
Dançam levemente e tão lindas
E temem em me olhar nos olhos
Como se soubessem o que eu penso

Pelos cantos esquecidos com minha gente
Entorpecendo a alma com a natureza
Vendo de longe as meninas que dançam
Santos meus! Que beleza!

Desfilando pelo ar que me rodeia
Deslizando pelos morros empoeirados
Seguindo por atalhos escondidos
E chegar ao ponto de espera
Para então voltar a casa
Que me guarda pela noite
E no próximo dia me desagua.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dancem homens!

Dancem homens fracos,
Com seus corações bons.
Dancem suas valsas,
Desritmados.
Dancem sob o céu de poucas nuvens
E muito estrelado.
Dancem homens,
Dancem seu bailado.
Dancem até não haver mais chão sob seus pés.
Vamos, continuem!
Sigam os passos solitários,
Enterrados em seus quartos,
Trancados.

Dancem homens!

Imaginações de uma tarde de segunda

Quando não há nada para fazer,
Eu imagino.
Imagino formas e cores
De seios e flores.

E assim viajo.
Vou longe,
Tão longe que esqueço de onde parti.
Perco o caminho de volta ao meu mundo.

E agora? O que eu faço?
Como desembaraço
Essa linha do tempo e espaço?
Que me enrola em espasmos contínuos,
Dos músculos endurecidos,
Com a visão do corpo todo de seu rosto
Ao alcance de meus dedos.

Manhã-noite

Acordei com pingos na testa,
Chovia como nunca lá fora.
Os pingos eram coordenados,
“Um, dois, três, pingo”. Pensava.

Era uma manhã como noite,
Com nuvens da noite,
E o silêncio da noite.
Ouvia os passos molhados de quem passava,
Lembrava que hoje não sairia de casa
E agradecia.

Fiquei levando pingos na testa por bastante tempo,
Não me incomodava com eles,
Secava o rosto a cada um e esperava o próximo.
“Um, dois, três, pingo”. Ainda pensava.

Devagar a chuva foi parando,
Os pingos não estavam mais no ritmo,
Agora bailavam com suas próprias vontades,
Ora chegando até minha testa,
Ora se perdendo pelo caminho.

Esquentava.

A manhã-noite dava suas caras de dia,
O céu se abriu em alguns pontos.
Já passavam das onze horas
E o sol apontava como se estivesse acabando de nascer.

O lençol se perdeu,
O suor escorreu
Pelo pescoço até o peito nu.
Engraçado como o calor em poucos minutos leva todo o frio que aqui estava e todas as rajadas de vento que aqui passavam.

Idéia perdida durante a noite


Levantei-me no escuro,
Tateei a bancada,
Procurei um pedaço de papel e uma caneta,
Tinha algo estupendo a escrever!

Ceguei-me rapidamente com a luz que acendi,
Voltei minha atenção ao papel e ao pensamento,
Era incrível o que pensara,
A maior de minhas idéias.

A caneta tremia em meus dedos,
Ainda ressonava,
Bocejava,
Apertava os olhos numa tentativa desesperada em acordar por completo,
E num desses apertos
Tudo o que pensara, sumiu.
Toda aquela idéia brilhante fugiu.
Olhava inerte para o pedaço de papel,
Este mesmo pedaço de papel.

Quem sabe voltando a dormir,
Em outro sonho a idéia volte a mim!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deixe o menino correr

Deixe o menino correr,
não irá tão longe.

Ele quer sentir a liberdade,
o vento no rosto,
seus pés na terra,
tropeçando em si mesmo,
pulando obstáculos,
trilhando seu caminho.

Esse menino só quer saber de correr,
de ir por entre as árvores,
driblar seus opositores imaginários,
que o impedem de chegar ao objetivo.

Deixe ele ir,
esse irá longe,
terá seu rumo traçado.

Mesmo sendo um tanto desajeitado
se fará quase homem.
Quase homem porque se sentirá assim,
mas seu futuro é irrelevante,
seu correr de criança é o que o faz feliz.

Deixe o menino cair,
seus tropeços não o deterão,
sua força não está no seu corpo magro,
está no que o faz tão leve,
está no seu esboço de sorriso após suas quedas,
nas suas lágrimas escondidas por trás dos muros,
sua força é o seu amor pelo mundo
e o amor que o mundo o oferece.

Como corre esse menino,
já deu a hora de voltar
e não mostra seu cansaço,
poderia correr mais,
pela noite toda,
pela vida toda.

Fim do Carnaval

Amanhã,
o mar é mar,
é maré cheia.
É amor de giz,
é flor de laranjeira.

Botão de rosa ou flor de lis,
seus olhos castanhos é o amor.

É verdade a saudade
ou o fim não é fim,
é dor.

E o mar,
o amar
e a mentira?
É a certeza do incerto,
é razão irracional.

Na cama,
no sonho
ou nunca mais.
É a foto na cabeceira,
é o cheiro nas mãos,
é a peça de roupa sob o travesseiro.

Uma viagem para o centro do enigma
ou para dentro de um coração.
É paz,
é tudo, é tudo!

Uma sentença é a redenção,
do coração
ou nada mais.

O sentido rimou o falso com o verbo,
é particípio entre as costelas.

E a salada mais o complemento,
mais o arroz branco,
mais a sobremesa,
ficou bom,
mas o tempero...

E o fim de tarde,
o domingo,
a TV ligada,
os abraços perdidos,
os comerciais de shampoo,
seu corpo com sono,
e seu rosto risonho,
jogados sobre mim.

É o fim do carnaval.