segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O amor é uma doença

O amor é uma doença
Que não tem cura

É uma enfermidade
Que só é boa quando dura

Não há tratamento
Ou remédios

Nem hospitais
Ou médicos

Capazes de dizer
Se um dia passarão

Os sintomas que a tornam
Um mal ao coração

Estou doente,
Estou amando.

Fim dos sonhos

O que deveria ser feito
Está feito!
E a dor invadindo o peito
Grita junto
Chora mudo
Sem lágrimas
E o leva aos céus,
Às fadas!
Que o envolve
Em suas asas
Tornando seus sonhos
Pensamentos mortos
Como penitência
De uma vida sem amores

Dia

Não deixe que o vento
Cortando as folhas
Da mangueira
A distraia do passatempo
De ser minha

Sente-se e
Me conte
Do seu dia

Fruta podre

A feira
A pêra
A perca
A fruta peca
Na geladeira
Já preta

Tento

Tento
Mesmo descontente
Me contentar
Com algum consentimento
De algum Deus.

Poesia-magica

Encaro a folha em branco
Esperando que as palavras surjam
E a poesia se forme

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rostos passados

Afogados no mar de lama
Do esquecimento
Habitam os nomes
Dos rostos
Passados.

Por - Lat, Lat - Por

Lux - luz
Alter - outro
Crucis - cruz
Necro - morto

Olhos que me engolem

Negros desenhados
Seus olhos me encaram
E simplesmente me fogem as palavras
Enquanto eu paro hipnotizado
Tentando buscar na conversa dos vizinhos
No avião que passa baixo
Ou no que falam na televisão
Algo que eu possa dizer,
Mas eles ali,
Parados
Apenas no ofício de me olhar
Agarram-se à mim
Sugando com força colossal
Meu corpo todo
Minha vida inteira
Para dentro deles.

Crença

De pedra
Em pedra
Eu miro
E atiro
Nas cruzes
Cegando
Os olhos
Dos homens
Que vivem
Em crença
Mas não vivem
De verdade.