quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O domingo está frio,
O sofá vazio,
O copo, porém, está cheio
E quente,
Com a bebida que corre por minhas veias
Turvando minhas vistas
Me deixando promiscuamente libidinoso
Desmaiado sobre a cama

Queria ter, como o mestre, todos os sentimentos do mundo,
Desesperadamente fugitivo do dia-a-dia,
E sonhar com um futuro
O qual destino já havia decidido
Que não viria

Pretenciosamente queria poder ter em mim todas as sensações possíveis.
Meu coração estava cheio de amor,
Mas não era suficiente,
Queria mais,
Queria ser capaz de sofrer,
E sofri.

Com as janelas fechadas
E o suor escorrendo
Eu fujo.
Enfim liberto
Os olhos se fecham
Os lábios secam
E eu durmo.

Lábios metálicos

Meus rosto furado
Em pontadas
De agulhas
Imaginárias

que incomodam meu sono
Entrecortados
Nos versos perdidos
Dessa noite, que me propicia,
Os mais íntimos desejos
Que te escondo,

De querer te beijar
Uma noite inteira
Até o sol raiar,
Até nascer em você
Um nascer que me despertará
Um desejo de querer
Os seus lábios metálicos
Metódicos em te amar.

A capa da revista

Absolutamente
Com a certeza
Que inexoravelmente
A beleza
Da capa da revista que nos mente
É processo de um complexo de avareza
De corpos eternamente adolescentes.
Não há nada que não
Entregue o
Meu carinho

Entendo, pelo menos, que
Por quem passa
Minhas mãos,

Se entrega à carícias
Podendo vir a trazer
Prazer e suspiro baixinho.

Não

Não me olhe assim
Pois posso não resistir aos impulsos
E agarrar-te rapidamente
Sem ao menos pensar
Nas consequências de meus atos.

Não me toque desse jeito
Pois me ferve o sangue
E borbulam meus olhos
Me desfazendo da sintaxe
Que se esvai em fumaça.

Não me dirija a palavra
Pois sua voz
Em minha mente ecoa
Em ruídos que despertam
Uma sensação tão boa
Me apertando o peito
E me secando a boca.

Visão de um homem ao pé de um viaduto

Estava cansado
A cabeça pendia na janela do ônibus
Não sei se o que eu via
Era real ou era sonho,
Mas qualquer que o fosse
Era triste
E medonho.

Do meu lado

Procuro você do meu lado,
Seu corpo largado
Deitado adormecido,
No pouco espaço
Apertado, de uma cama de solteiro.

Centro

Em passos largos
E demorados,
Ele caminha calmo
Pelo centro da cidade.

É um homem branco,
Pés descalços
Já calejados da caminhada diária atrás da vida,
Tentando agarrá-la com as maõs duras
E frias,
De quem todas as noites soca o mundo
Fazendo-o sangrar!

Sorri à toa,
Como se estivesse em outro lugar,
E realmente está.

Sua mente ficou ruas atrás
Em uma lata de refrigerante.

Musa

Musa das mais belas trovas,
Romanescas.
Donzela das mil e uma noites,
Vampiresca
Sugando todo o sangue
Que me ferve a veia
No calor de uns batuqes de carnaval.

Descompassado o meu coração
Apressado, já normal,
Sempre que a tenho em pensamento,
Se entrega
E sangra,
Atacado por suas unhas
Cravadas em meu corpo
Em delírios loucos,
No mesmo instante que seus lábios
Tocam os meus.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Populi

Pedra dura
Que fura
O ferro
Que fere
O rato
Do rei.